Publicada em: 10/10/2019 11:46

Secam/UEA inicia programação defendendo a educação da universidade pública

"Eu defendo, sobretudo, a universidade pública como local de produção de conhecimento, como local de produção de tecnologia e ciência, e também como instituição que contribui para a melhoria da sociedade". Esse foi um dos discursos da professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Alice Casemiro de Abreu, convidada para palestrar e abrir na noite desta quarta-feira (9), a programação do 9° Simpósio de Educação em Ciência na Amazônia (Secam), organizado pela Escola Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas (ENS/UEA).

A edição deste ano que será realizada até o dia 11, no auditório da ENS, localizado na Cidade dos Carros, Avenida Djalma Batista, Chapada, tem como tema "Políticas públicas para a democratização da ciência em debate".

O evento foi oficialmente aberto com a apresentação cultural da Orquestra Cláudio Santoro. Em seguida, a professora Alice Abreu ministrou a conferência "Currículo em tempos de guerra", debatendo e gerando discussões acerca da concepção, definição e construção curricular.

"O currículo é sempre uma construção que não deve haver uma definição por parte da universidade. Há implicações curriculares que se chama hoje de guerra cultural que é feita contra as universidades e a favor das políticas de currículos. É preciso problematizar essas questões para tentarmos desconstruir esse tipo de ação que desqualifica o verdadeiro papel da universidade dentro da sociedade", disse a palestrante.

Guerra cultural

Alice destacou ainda que essa guerra cultural contra a universidade pública promovida por agentes sociais estaria impedindo o atendimento das demandas sociais. "Pessoas estão colocando a universidade como um inimigo social, como um local de balbúrdia, de não produção de conhecimento. Não somos um espaço de ação da esquerda. A universidade pública é um local de produção de conhecimento, de desenvolvimento e inclusão social", enfatizou.

Já a diretora da ENS, Vanúbia Moncayo, ressaltou que a reflexão sobre a temática do Secam é de fundamental importância para aproximação do homem ao desenvolvimento humanista. Vanúbia diz também que a ciência deve estar no patamar da coletividade. Na oportunidade, a diretora parabenizou ainda todo o empenho da equipe para a realização deste Simpósio da Educação.

"A ciência serve para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Entretanto, temos agentes sociais fazendo totalmente o oposto, distanciando o homem da ciência de várias formas, por intermédio de cortes, pela falta de políticas públicas, dentre tantos outros fatores. Vejo essa temática como muito profícuo para a Semana de Educação. É tão gratificante ver a dedicação e o envolvimento de pessoas de dentro da nossa ENS neste evento. Temos técnicos administrativos ministrando cursos e oficinas no Secam. Isso faz florir mais a nossa ideologia", pontou Vanúbia.

Por fim, a coordenadora geral do Seminário, professora Mônica Costa, comentou sobre esta edição e a importância da discussão em favor da educação e da ciência. Mônica também salientou o apoio da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc-AM), do Doutorado Interinstitucional em Educação (Dinter UEA/UERJ), do Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) que disponibilizaram servidores para o evento.

"O nosso objetivo principal é criar uma área de discussão para estudantes, professores da educação básica do ensino superior, pesquisadores e cidadãos em geral que precisam questionar essa guerra cultural e esses ataques as nossas universidades. Essas últimas políticas públicas tem afetado grandemente a área da ciência e precisamos reverter esse sistema", concluiu.

Texto por: Gerson Freitas
Foto: Joelma Sanmelo

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